"A minha consciência tem milhares de vozes, e cada voz traz-me milhares de histórias, e de cada história sou a vilã condenada."
adaptado: William Shakespeare - Livro Claire Foltz.
Enquanto Lestat explicava aos demais o provável (claro que eu seria a escolhida para voltar até a América do Sul), a minha atenção estava voltada para dois integrantes em especial daquela reunião: Louise e o rapaz do canto.
A atual esposa de Lestat não parecia me conhecer, se o fosse, não teria me tratado com tanta cortesia. Tecnicamente, era dois anos a minha frente, mas, em termos de experiência, séculos atrás. Perguntava-me se Lestat tinha sido verdadeiro com ela, se a deixara compartilhar do seu passado, o qual eu estava diretamente envolvida.
E finalmente, o rapaz alto que ouvia com atenção as instruções do monsieur. Como podia ele estar ali sem que eu o conhecesse ou se quer o visse por uma mera vez na minha...vida?
- Mademoiselle, não poderia deixar de convocar alguém para protegê-la durante a operação na floresta. Bem, além de tudo, um guia. Sei que nunca esteve na Amazônia e sem ele, além de se perder, teria problemas com a língua local. Portanto, conheça o nosso mais novo amigo brasileiro. – disse Lestat despertando-me.
Os meus olhos já estavam voltados para ele desde que Lestat começara a falar e não desviaram do foco nem ao ouvir a nacionalidade do rapaz. Ele deslocou-se rápido para o centro da sala onde estávamos eu e monsieur Fontaine, esperando-o.
- Olá, meu nome é Vinicius – falou com um inglês básico o que me fez pensar nos possíveis problemas de comunicação que teríamos em frente - Prazer em conhecê-la.
Em seguida, estendeu a mão pra me cumprimentar. Antes de qualquer ação, olhei em volta, até chegar a Lestat com um sorriso de prazer só de pensar que os surpreenderia com minha atitude incomum. Por fim, apertei sua mão. Ele sorriu aliviado e eu correspondi.
- O prazer é todo meu, Vi... – o nome era exótico demais para que uma Alemã pronunciasse de primeira – Desculpe-me, sou Alemã e nunca tive a oportunidade de ouvir esse nome antes.
Lestat estava chocado com a minha gentileza, e eu adorava que estivesse assim.
- Não tem problema – disse ainda segurando minha mão – Terá tempo para aprender.
Ele parecia muito bom (se é que me entendem) para estar entre seres como nós. Será que ele sabia mesmo a verdade ou Lestat a escondera mais uma vez?
- Mademoiselle – disse Lestat tomando minha mão do rapaz – me comunicarei com você, digo, vocês, através do colar. Vocês irão de avião até...como se chama...
- Tocantins. – complementou Vinicius – É bem perto. De lá podemos ir a pé.
- Tem certeza? – tive de perguntar.
Depois da minha pergunta, o brasileiro sorriu maliciosamente e olhando-me falou:
- Posso te acompanhar, Foltz. Também tenho quatro patas.
Todos riram com o tipo de trocadilho. E eu me surpreendi por ele saber meu sobrenome tão depressa.
- Isso é o que veremos, Vinicius.
- Pronúncia perfeita, Claire. – falou sorrindo.
Percebi que quando ele me provocasse saberia exatamente como pronunciar o seu nome. Sem mais demoras, subi as escadas para os preparativos da viagem. Tínhamos de ir o quanto antes.
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A atual esposa de Lestat não parecia me conhecer, se o fosse, não teria me tratado com tanta cortesia. Tecnicamente, era dois anos a minha frente, mas, em termos de experiência, séculos atrás. Perguntava-me se Lestat tinha sido verdadeiro com ela, se a deixara compartilhar do seu passado, o qual eu estava diretamente envolvida.
E finalmente, o rapaz alto que ouvia com atenção as instruções do monsieur. Como podia ele estar ali sem que eu o conhecesse ou se quer o visse por uma mera vez na minha...vida?
- Mademoiselle, não poderia deixar de convocar alguém para protegê-la durante a operação na floresta. Bem, além de tudo, um guia. Sei que nunca esteve na Amazônia e sem ele, além de se perder, teria problemas com a língua local. Portanto, conheça o nosso mais novo amigo brasileiro. – disse Lestat despertando-me.
Os meus olhos já estavam voltados para ele desde que Lestat começara a falar e não desviaram do foco nem ao ouvir a nacionalidade do rapaz. Ele deslocou-se rápido para o centro da sala onde estávamos eu e monsieur Fontaine, esperando-o.
- Olá, meu nome é Vinicius – falou com um inglês básico o que me fez pensar nos possíveis problemas de comunicação que teríamos em frente - Prazer em conhecê-la.
Em seguida, estendeu a mão pra me cumprimentar. Antes de qualquer ação, olhei em volta, até chegar a Lestat com um sorriso de prazer só de pensar que os surpreenderia com minha atitude incomum. Por fim, apertei sua mão. Ele sorriu aliviado e eu correspondi.
- O prazer é todo meu, Vi... – o nome era exótico demais para que uma Alemã pronunciasse de primeira – Desculpe-me, sou Alemã e nunca tive a oportunidade de ouvir esse nome antes.
Lestat estava chocado com a minha gentileza, e eu adorava que estivesse assim.
- Não tem problema – disse ainda segurando minha mão – Terá tempo para aprender.
Ele parecia muito bom (se é que me entendem) para estar entre seres como nós. Será que ele sabia mesmo a verdade ou Lestat a escondera mais uma vez?
- Mademoiselle – disse Lestat tomando minha mão do rapaz – me comunicarei com você, digo, vocês, através do colar. Vocês irão de avião até...como se chama...
- Tocantins. – complementou Vinicius – É bem perto. De lá podemos ir a pé.
- Tem certeza? – tive de perguntar.
Depois da minha pergunta, o brasileiro sorriu maliciosamente e olhando-me falou:
- Posso te acompanhar, Foltz. Também tenho quatro patas.
Todos riram com o tipo de trocadilho. E eu me surpreendi por ele saber meu sobrenome tão depressa.
- Isso é o que veremos, Vinicius.
- Pronúncia perfeita, Claire. – falou sorrindo.
Percebi que quando ele me provocasse saberia exatamente como pronunciar o seu nome. Sem mais demoras, subi as escadas para os preparativos da viagem. Tínhamos de ir o quanto antes.
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- O que devo levar? – disse comigo mesma procurando coisas úteis além das roupas que Lestat me dera para a bagagem.
- Boa pergunta, Foltz.
- AH! – fui pega despreparada com a resposta inesperada do brasileiro.
Ele riu.
- Desculpe-me se te assustei – falou – não foi minha intenção.
- Acho que não tem problema, não há como morrer. – falei a verdade.
Ele se posicionou ao meu lado de frente a cama e de repente, tirou a camisa.
- Posso saber o que você está fazendo?
- Bem, eu não trouxe uma mala, preciso de alguma coisa para colocar meus pertences e é costume de onde venho usar a camisa nessas horas – explicou divertindo-se – mas se te incomoda, eu posso...
- Não, não! – parei por alguns segundos surpresa com meu tom histérico, quase desesperado – Não me parece justo interferir nas suas idéias culturais, por mais selvagens que pareçam.
Ele riu novamente e me...abraçou.
- Desculpe. É costume também abraçar – falou maliciosamente.
- Não precisa me mostrar mais alguns de seus atos culturais. Em pouco tempo poderei presenciá-los, não é?
Eu parecia bem divertida para ele. Sentia-me...bem. Bem diferente, é verdade. Mas sentia-me como uma certa Heidi, a qual pela primeira vez senti saudades. O espelho me refletia e eu podia ver ali a Heidi que não mais sou. Apesar da semelhança física, sei que não sou mais nada ou não posso ser mais do que a minha consciência deixar por fim.
[ Continua... ]



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